Sebastião Salgado apresenta exposição sobre a Amazônia no Rio e critica Bolsonaro


“Eu, pessoalmente, culpo diretamente o governo federal pelo assassinato do Bruno e do Dom”, disse. Procurado, o Executivo federal não se manifestou

O fotógrafo Sebastião Salgado, um dos mais aclamados da atualidade, apresentou nesta segunda, 18, sua exposição ‘Amazônia’- que inaugura nesta terça, 19, no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio -, com uma entrevista marcada por críticas ao governo Jair Bolsonaro e sua política para a floresta. Ao lado de Beto Marubo, representante da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Salgado passou cerca de uma hora criticando a atuação do governo em relação à floresta amazônica. “Eu, pessoalmente, culpo diretamente o governo federal pelo assassinato do Bruno e do Dom”, disse. Procurado, o Executivo federal não se manifestou.

As mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips e o abandono de instituições federais que atuam na Amazônia, dominaram as perguntas na entrevista coletiva. O encontro foi acompanhado por correspondentes internacionais. Salgado fez suas críticas sem alterar o tom de voz.

“É um governo de extrema direita totalmente dedicado à destruição das instituições nacionais”, acusou. “Uma das maiores instituições que o Brasil teve, tem e terá, é a Funai. E a Funai, neste governo, é uma instituição que está trabalhando mais em prol do agronegócio retrógrado, do que para as comunidades indígenas”, disse Salgado. O fotógrafo passou sete anos ao lado da mulher, a arquiteta e ambientalista Lélia Wanick Salgado, imerso na floresta amazônica. “Tudo o que o Executivo faz é mentir. Mentir dizendo que está resolvendo o problema da Amazônia e que está ajudando as comunidades indígenas.”

Beto Marubo, convidado por Salgado, criticou a gestão das instituições que deveriam cuidar da Amazônia.

“O governo loteou as instituições, e elas estão totalmente inoperantes. No Vale do Javari, por exemplo, o que aconteceu lá com o meu amigo Bruno e com meu amigo Dom Phillips, foi a ausência do Estado”, disse. “Essa história de ‘Amazônia soberana’ é uma plena mentira. As bases do Exército, se vocês forem lá perto da minha terra, é uma tristeza. O pessoal não tem nem onde dormir, os dormitórios estão caindo aos pedaços. Postos militares que antes a gente via, e tinha orgulho daquelas unidades militares, estão caindo aos pedaços.”

Marubo também criticou a Funai.

“Os isolados dependem da terra. Eles comem muita caça, dependem do macaco, da anta, e isso está sendo roubado deles, são toneladas de carne que saem quase semanalmente do Vale do Javari Então, está faltando comida pra eles. E o que a Funai fez? Parou a fiscalização e começou a dar arroz, bolacha”, afirmou. “Eles se orgulham disso, de colocar no site da Funai distribuição de cesta básica.”

Além de criticar o governo federal, Sebastião Salgado também pediu por uma maior participação de outros países na defesa da floresta. Segundo ele, esses governos também são responsáveis pela degradação do bioma.


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“Eu acho imprescindível a participação do planeta inteiro na proteção do bioma Amazônia. Porque a destruição da floresta amazônica não foi feita só pelos brasileiros que estão lá, foi feita pelo planeta inteiro, pela sociedade de consumo do planeta inteiro”, comentou Salgado.

Para ele, os “alemães, os franceses, os noruegueses, nunca se colocaram em questão na hora de comprar madeira de alta qualidade e bom preço”.

“Uma boa parte das vacas da Alemanha, dos porcos, são engordadas com soja que vem daqui”, atacou. “E uma boa parte dessa soja sai de áreas destruídas da Amazônia. A carne que se compra nos supermercados europeus, uma boa parte é carne brasileira. E uma boa parte dessa carne sai dali. Então, a participação de empresas estrangeiras na destruição da Amazônia é efetiva.”

Exposição já passou por outros países

Com curadoria e cenografia de Lélia Wanick Salgado, a exposição Amazônia reúne 194 fotografias de Sebastião Salgado. A mostra vai até janeiro e já passou por Paris, Roma, Londres e São Paulo (Sesc Pompeia). Em outubro, chegará a Los Angeles.


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“Essas fotografias não são da Amazônia morta. Nós perdemos 18% do bioma Amazônia, e isso aí a gente vê na televisão todos os dias. Nós tomamos a decisão de mostrar a Amazônia viva. Estas fotografias representam 82% do bioma Amazônia”, comentou Sebastião Salgado.

O fotógrafo exaltou as comunidades indígenas.

“Elas representam possivelmente a maior concentração cultural do planeta”, disse.

Estadão Conteúdo


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