Ciro defende ‘plebiscito programático’ para superar crise em entrevista ao JN


Na entrevista, ele defendeu a adoção de um “plebiscito programático” para solucionar os problemas políticos como a falta de apoio

Candidato à Presidência pelo PDT, o ex-ministro Ciro Gomes afirmou, durante sabatina ao Jornal Nacional, nesta terça-feira, 23, que o presidencialismo de coalizão implantado no País é uma “certeza de crise eterna”. Na entrevista, ele defendeu a adoção de um “plebiscito programático” para solucionar os problemas políticos como a falta de apoio no Congresso.

Para ele, é preciso “denunciar” as ações o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL). Ao longo dos 40 minutos de entrevista, Ciro centrou em atacar as últimas gestões presidenciais. Para ele, a frustração com o atual chefe do Executivo, fará o País voltar ao “fracasso” “É uma tentativa de liberar o Brasil de uma crise que corrompeu a Presidência da República. Chegamos ao limite das emendas do relator. Eu vi ontem o cidadão aqui falando que não tinha corrupção”, disse.

“A corrupção é praticada por pessoas e o desastre econômico é responsabilidade de pessoas e de grupos. Elas têm que ser responsabilizadas”, complementou Ciro.

Além de atacar a gestão da pandemia de Bolsonaro, o pedetista rebateu as falas do presidente sobre a ausência de corrupção no Brasil. “A corrupção no Brasil está se institucionalizando tal como é o despudor”.

Bonner insistiu com Ciro sobre a dificuldade de um presidente eleito sem apoio no Congresso para aprovar medidas no Legislativo e questionou como ele pretende colocar em prática as propostas de campanha. A gente tem que entender que eu represento um movimento abolicionista num sistema escravista.

“O Bivar que é presidente do União Brasil me pediu para deixar a porta aberta até o último dia. No fim, foi honesto. Disse: “Olha, o problema não é o Ciro. São as ideias dele”. Eu represento uma espécie de movimento abolicionista em um sistema escravista.

“O primeiro ano de FHC transcorreu em branco. Qual foi a concepção estratégica do Lula? Ambos se prostraram em um modelo econômico que produz desigualdade, informalidade, desemprego e destruição dos serviços públicos”, afirmou Ciro.


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Uma das propostas de Ciro é ampliar os plebiscitos e referendos. Renata questionou Ciro se as medidas não colocam em xeque a relação entre a Presidência e o Legislativo.

“Eu acho o regime da Venezuela abominável. É muito clara a minha distinção com esse populismo sulamericanao que o PT, infelizmente, replica aqui. É uma tentativa de liberar o Brasil de uma crise que corrompeu a Presidência da República. Chegamos ao limite das emendas do relator. Eu vi ontem o cidadão aqui falando que não tinha corrupção. A corrupção está se institucionalizando. O mais importante é estabelecer mediação com governadores e prefeitos que têm prevalência sobre os grupos de pressão. Vou libertar 15% das receitas de SP, RJ, MG e RS, que estão falidos. Vamos combinar um grande projeto de investimento”, disse.

Ciro afirmou ainda que Bolsonaro e o PT “reduziram a política a uma coisa odienta”.

“A tradição de desemprego no Brasil é de 4%, 5%. Já batemos em 12%. Estamos em 10%. Estamos mandando para a velhice daqui a 15 anos, 50 milhões de brasileiros que não terão cobertura previdenciária. A política não pode ser reduzida a essa coisa odienta, de que o Bolsonaro é um protesto contra a corrupção e a crise econômica que o PT produziu e agora vamos voltar ao passado”, disse.


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Bonner questionou se Ciro pretende concorrer à reeleição e como isso facilitaria a relação dele com o Congresso, caso eleito.

“O que destruiu a governança brasileira é a reeleição. O presidente se vende a grupos picaretas da política brasileira porque tem medo de CPI e querem se reeleger. Eu me garanto. Não sou corrupto. Não tenho medo de CPI. Abrindo mão da reeleição eu vou fazer as reformas que o Brasil precisa. Quem você escolher, é com esses que sou democraticamente obrigado a negociar. A minha diferença é que o Bolsonaro, por exemplo, denunciou isso e fez o oposto. O PT fez o tempo inteiro a denúncia da corrupção dos outros e depois negociou nas mesmas bases. O que eu prometo? Negociar sem toma-lá-dá-cá”, disse.

Como proposta para o meio ambiente, o candidato defendeu que, para a aplicação das leis na Amazônia, é preciso oferecer alternativa para os moradores com monitoramento tecnológico e com uma reconversão da lógica produtiva. “É preciso fazer com que a economia rural aprenda que a floresta vale muito mais em pé do que derrubada. Se você dar uma alternativa, a repressão vale para o verdadeiro marginal”.

Bonner citou a meta do Brasil em eliminar o desmatamento ilegal e questionou Ciro como ele pretende cumprir os acordos internacionais firmados pelo governo federal. O ex-ministro afirmou que as estruturas de comando e controle de crimes na Amazônia foram destruídos no atual governo.


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“Eu fui processado pelo ministro da Defesa do Bolsonaro porque disse que o domínio do narcotráfico, pelo contrabando de armas, pela caça e pesca ilegal e pelo desmatamento ilegal (na Amazônia) não aconteceriam sem a conivência ou omissão das Forcas Armadas. O problema é que destruímos as estruturas de comando e controle”, disse.

Renata questionou Ciro como a criação de um sistema único de segurança e a federalização da segurança evitaria o problema da conivência de policiais militares com o crime, citada por Ciro como um dos problemas da área.

“O policial é um trabalhador. Se ele não acertar algum pacto de sobrevivência naquela circunstância dominada pelas facções é improvável que ele consiga sobreviver. Esse combate precisa ser feito pelo governo federal e com aparatos de inteligência. O orçamento brasileiro em segurança é um terço de 1%. Quantas vezes eu ouvi de governos de quem eu estive perto, do Lula, especialmente, ele disse que segurança era problema dos estados. Eu acredito que não podemos desertar disso”, disse.


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Ciro afirmou que pretende federalizar o combate ao crime organizado, milícias, narcotráfico, tráfico de armas, crimes do colarinho branco e lavagem de dinheiro.


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O presidenciável afirmou ainda que “falta uma mão firme”: “As algemas voltarão a funcionar no primeiro dia do meu governo”.

Além dele, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro a ser ouvido, no programa da segunda-feira. Na quinta-feira, será a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); a senadora Simone Tebet (MDB-MS) será a última a participar, na sexta-feira

Ciro está na terceira posição na corrida presidencial. O agregador de pesquisas eleitorais do Estadão aponta Ciro com 7% das intenções de voto.

O pedetista já citou em mais de uma entrevista que essa é a última disputa presidencial que ele pretende concorrer. No Roda Viva, da TV Cultura, no dia 15 de agosto, Ciro defendeu que uma possível eleição do ex-presidente Lula será o “maior estelionato eleitoral do planeta” e disse que o petista, seu ex-aliado, e Bolsonaro são “dois corruptores”.

Estadão Conteúdo



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