Camil entra em biscoitos com Mabel e Toddy


A Camil negociou com a PepsiCo a aquisição da marca de biscoitos Mabel e o licenciamento da marca Toddy para a categoria — mais um movimento do CEO Luciano Quartiero para diversificar seu portfólio para além do arroz com feijão.

A ação chegou a subir 5,6% depois do anúncio agora de manhã e estava em alta de 2,5% por volta das 11:20 hs.

A transação, que marca a entrada da Camil em biscoitos, inclui ainda as marcas Doce Vida, Mirabel, Elbi’s e Pavesino, bem como as duas fábricas da Mabel em Goiás e Sergipe e uma linha de produção de cookies que será transferida de uma planta em Sorocaba para a de Sergipe.

A PepsiCo licenciou a marca “Toddy” para cookies por 10 anos. A marca é a segunda maior de cookies em faturamento no Brasil, com um recall acima de 98% entre os brasileiros.

Fundada em 1953 por dois imigrantes italianos, a Mabel é a líder no Brasil nas vendas de rosquinhas, e a segunda marca mais lembrada pelos consumidores no canal atacarejo. 

A PepsiCo havia adquirido a Mabel em 2011, pagando cerca de R$ 800 milhões pelo negócio, que na época faturava em torno de R$ 450 milhões/ano. 

A Camil não abre o valor da aquisição por uma questão contratual, mas o CEO disse que vê um potencial “de recuperação e crescimento das vendas.” 

A Mabel era “uma operação não tão estratégica para o vendedor, mas muito estratégica pra gente. Então muda completamente o foco,” Quartiero disse ao Brazil Journal.

Segundo ele, as duas fábricas da Mabel operam hoje com 50% de ociosidade. Ou seja, a Camil pode dobrar as vendas da Mabel nos próximos anos sem nenhum capex adicional.

“Podemos dobrar o tamanho [da Mabel] apenas com uma execução melhor e com a força de distribuição que a Camil já tem,” disse ele.

O movimento vai em linha com a estratégia da Camil de entrar em produtos de maior valor agregado e que têm margens superiores às do portfólio médio da empresa, disse Gustavo Troyano, o analista de alimentos do Itaú BBA.

“Saber o quantitativo seria super importante para fazer as contas, mas do ponto de vista qualitativo a transação faz todo sentido,” disse o analista, que tem recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 13. “Historicamente, a Camil sempre foi um bom alocador de capital e é provável que esse também tenha sido um bom negócio.”

O CEO disse que entrar em biscoitos era um desejo antigo da Camil, já que a categoria tem sinergias relevantes com outros produtos de alto giro como arroz, feijão, massas e enlatados. “Conseguimos usar a mesma parte de distribuição, caminhões e a área de vendas, o que gera uma eficiência muito grande,” disse ele. 

A aquisição é a primeira da Camil este ano e vem depois da companhia colocar mais de R$ 800 milhões em M&As no ano passado, entrando no segmento de cafés com a marca Seleto, e de massas com a aquisição da Santa Amália. Em dezembro, a companhia também comprou a uruguaia Silcom, que fabrica frutas secas, sementes, molhos e azeites. 

Segundo Quartiero, a Camil vai bancar a aquisição de hoje com dinheiro em caixa, sem emitir dívida ou ações. A empresa continua buscando M&As com foco em expansão geográfica e ainda tem espaço no balanço para novos movimentos. 

A alavancagem está em 2,2x o EBITDA, e o limite da empresa é 3,5x. “A família [controladora] também tem disposição de ser diluída caso apareça algo muito interessante,” disse Quartiero. A empresa vale R$ 3,7 bilhões na Bolsa, incluindo a alta de hoje. 

O valor da transação só será conhecido em 10 de janeiro, quando a Camil reporta seu terceiro trimestre fiscal, que começa em setembro, durante o qual deve haver o closing da transação. Por enquanto, tanto o sellside quanto investidores operam no escuro.

A Camil não teve assessor financeiro. O Cescon Barrieu foi o assessor jurídico. 

O BTG Pactual assessorou a PepsiCo, que teve assessoria legal do Mayer Brown.


Pedro Arbex





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